
Eu sempre quis fazer uma série de fotografias que mostrassem lugares ou coisas cotidianas que despertassem algum sentimento estranho, aquela sensação de medo, que a gente não consegue explicar.
Na semana do natal retrasado eu estava visitando a casa de uma amiga nossa, a Zizi com minha esposa Fran e eu reparei que na decoração da casa dela despontava um pequeno Mickey Mouse iluminado. Vocês devem ter visto essa criatura na minha sessão de fotos bizarras, que tenho publicado aos poucos, em doses homeopáticas (para não causar traumas em ninguém).
Organizando meus arquivos bizarros, encontrei uma segunda foto desse dia, o que eu desaconselho para quem tem nervos sensíveis.
O tempo parou para eu olhar para aquela criatura diminuta, flutuando a poucos palmos do chão de ladrilhos...
Ardendo, acompanhando seu mestre, lá estava o lacaio de Mickey: o Pateta.
Isso me fez lembrar (com calafrios de horror) a mitologia egípcia, o que me propiciou imaginar um paralelo com esta imagem que registrei. Fiz uma pesquisa, que publico aqui para você, querido e assustado leitor:
Apesar das mais antigas informações escritas a respeito do sistema nervoso estarem associadas ao Antigo Egito, o cérebro humano não era considerado um órgão envolvido com funções mentais superiores. Por exemplo, o cérebro era totalmente descartado durante o processo de mumificação e a cavidade craniana era preenchida com faixas de linho umedecidas em resina. Já o coração e o fígado, por exemplo, eram removidos com muito cuidado e guardados em recipientes onde permaneciam preservados para a "viagem do morto”.
A mente/alma era uma entidade invisível e imortal que seria julgada após a morte do corpo pelos seus atos durante a vida. O coração, órgão que servia de sede para a alma, era capaz de recordar tudo o que foi feito enquanto vivo. Na morte, o coração seria pesado contra uma pluma e conforme seu peso a pessoa seria julgada culpada ou inocente. Durante a cerimônia da pesagem do coração era decidido se o sujeito seria mandado para paraíso ou serviria de alimento para a figura mitológica parecida com um crocodilo chamado de Devorador ou Amun.
Em “O Julgamento perante Osíris” do “Livro dos Mortos” – 1285 a.C. Vemos o morto sendo trazido por Anúbis, deus da mumificação (com cabeça de chacal). Em seguida, temos o Devorador de Almas observando a pesagem do coração. Ao seu lado direito, o Thot, deus da sabedoria. À sua direita, temos Hórus, com cabeça de falcão, deus do céu. Sentado a direta, Osíris, deus do mundo subterrâneo.
Veja neste link a imagem!
Os detalhes me causaram espanto e fascinação, pois Mickey, na foto, carregava em uma das mãos um coração negro e seco, que poderia muito bem estar sendo levado para uma “pesagem” sob a presença do DEVORADOR DE ALMAS...
...PATETA!
Espero conseguir registrar mais criaturas urbanas escondidas e camufladas em nosso dia a dia.
... se assim estas permitirem... (medo)