sábado, 17 de setembro de 2011

Gravando Áudio-Dramas para o Nerdcast do Jovem Nerd



É com muita alegria que sou convidado em várias oportunidades pelos amigos Alexandre Ottoni (Jovem Nerd) e Deive Pazos (Azaghâl) para gravar áudio-dramas para o Nerdcast do Jovem Nerd. Já abordamos vários temas e livros, como O Mochileiro das Galáxias, Isaac Asimov, 1984, O Aleph de Paulo Coelho e mais recentemente Filhos do Éden, que foi uma experiência muito prazerosa, pois é o trabalho de nosso amigo Eduardo Spohr.

Super audição.


Até pouco tempo eu gravava com o mesmo headset que me foi dado de presente pelo próprio Deive para participar dos podcasts. Serve muito bem para o bate papo animado que temos nos programas, mas para a leitura dos dramas e criação de áudios para o meu blog, para meus vídeos do Tobias, entre outras coisas, eu estava realmente decidido em investir em um microfone e gravador digital. 


Numa viagem a São Paulo, quando participei da Campus Party e do evento Anime Dreams, o querido Gustavo Guanabara me apresentou, na casa do nosso amigão Léo Lopes (do Radiofobia), a esse pequeno dróide sonoro (como costumo chamar secretamente). Foi amor a primeira vista. Comprei o meu ZOOM e fiquei muito satisfeito com ele. 


Experimentei andar com o bichinho pelo apartamento e tomei vários sustos, pois me senti como um homem biônico recém saído da mesa de cirurgia de implante, como se tivesse audição de Superman, com seus sentidos ampliados, extremamente aguçados. Ele captava desde os passarinhos piando ao passar pela varanda e os pombos arrulhando no telhado do vizinho até os mensageiros de vento ao longe. Os passos, o barulho da roupa, estalar do chão de tábua corrida, a panela de pressão na cozinha, minha sogra mexendo nas gavetas na arca da sala, Falcor dando umas miadinhas sociais, tudo era captado. Eu estava muito feliz, maravilhado com a potência do ZOOM.




Pré-Produção e marteladas na parede.


A gravação das leituras dramatizadas começam quando o Alexandre me dá uma ligada pra saber do meu tempo disponível durante a semana. Confesso que sempre que vejo no identificador de chamada o nome dele já fico feliz e falo mentalmente: "Oba"!" Batemos um animado papo sobre como ele e Deive querem a leitura, acertamos o prazo, pra que não fique muito em cima pra eles editarem e depois recebo por e-mail o texto completo, com mais algumas orientações e detalhes diversos. Ligo de volta, tiro dúvida que ainda possam surgir e pronto. Agora é só estudar direitinho e com calma o texto e gravar. É muito importante relembrar sempre que o Alexandre e o Deive fazem um trabalho impressionante na edição, varando madrugadas, passando noites em claro para apresentar um Nerdcast extremamente rico sonoramente. Esse trabalho em equipe é muito fluido entre nós, nos entendemos perfeitamente e curtimos o que cada um faz. Estou sempre aberto a repetir, me aprimorar, seguir qualquer orientação que os dois possam me dar para ficar um trabalho bem feito para os ouvintes. É fundamental essa troca, sempre com críticas construtivas, dos dois lados.


Gravo na maior parte das vezes no meu quarto de casal. Fecho as janelas, a porta do quarto, do banheiro da suíte, tento isolar o máximo que posso o áudio. Sento confortavelmente no fundo da cama e aproveito mais um pouquinho de acústica do armário embutido, já que a cama é contornada por ele. Com essa "cabine" improvisada e inesperada, eu faço minhas leituras, sempre torcendo pra algum vizinho não resolver começar alguma obra, reforma ou que dê marteladas na parede. Martelada na parede é fatal, nada segura esse som poderoso. Pior do que isso, talvez somente o carro do ferro velho (tenho certeza que ele é um Decepticon disfarçado) que passa na rua com seu sistema de auto-falante assustador. Como o microfone é poderoso, já pesquei esse carro ao fundo falando: "Ar condicionado velho... geladeira velha... ferro de passar velho... carro do ferro velho... passando na sua... rua..." - com aquela voz monótona e cavernosa (que eu adoro, tá confesso, confesso...)




Gravando! Submergir submarino!


O momento que eu mais gosto é o imediatamente após a segunda ou terceira leitura geral do texto, quando minha compreensão de como é a psicologia de cada personagem, de como vai ser o estilo do narrador se estabelece e eu começo efetivamente a gravar. Quem me conhece pessoalmente, sabe que tenho uma coisa muito lúdica e por vezes infantil conectada com minhas atividades artísticas, o que deixa o trabalho criativo ainda mais divertido. Abstraio o mundo exterior, fico imerso numa outra realidade sensorial fascinante, num grande oásis de experimentações que vão surgindo nas páginas que vou lendo... e também fico totalmente com a cabeça nas núvens, distraído. Pode explodir uma bomba do meu lado que nada acontece. Tá... bomba não, estalinho, então... 


A imagem divertida que se forma na minha cabeça, quando estou me concentrando cada vez mais, é a de um submarino que vai descendo, submergindo cada vez mais em águas cada vez mais silenciosas e tranquilas. É como se o papel começasse a ficar transparente e eu pudesse ver através dele um mundo se descortinando, com sua temperatura, cheiros, texturas e gostos aos poucos se materializando. Em um determinado instante, é como se o "submarino da concentração" saísse das águas tranquilas e escuras e começasse a receber aqueles raios de luz do entendimento, varando o manto negro da água acima de sua cabeça. Interpretar um texto de livro é uma experiência mágica. A palavra tem uma força impressionante, ainda mais do que sequer imaginamos, quando proferida. 


Aposto que você vai se lembrar desse submarino quando for ler um livro, né?




Essa imersão que um ator experimenta é um de seus maiores estímulos, pois é como se pudéssemos ser transportados por vários instantes a um outro corpo, em outro mundo. Isso acontece comigo durante filmagens também, quando resolvo fazer meus filminhos malucos para o Teatro de Bonecos. Pego a câmera, sem script, sem uma organização prévia, sem combinar com outras pessoas e inicio a gravação, totalmente solto e sem preparo. Procuro chegar em um estágio máximo de distração, onde o que importa é captar o que está naturalmente acontecendo ao meu redor. Claro, não vou cair em um bueiro na rua, imaginando que é um túnel para outro universo paralelo, mas confesso que tenho a atenção redobrada quando gravo na rua, justamente para evitar esse tipo de coisa. Já pensou? Eu e Tobias entalados em um bueiro? 


...Você está rindo por que?


Uma voz solta no espaço...


Muitas vezes escutamos um ator, durante os bastidores de algum filme ou seriado, comentar que seu personagem não responderia emocionalmente do jeito X ou Y em determinada situação. Ele fala isso pois realmente acaba conhecendo o personagem como se este estivesse vivo, tamanho envolvimento que experimentou.


No caso da leitura dramatizada de um livro, essa entrega emocional, a soltura das amarras da realidade é importantíssima, pois temos apenas a visualização mental de todo o universo descrito pelo autor e o ator deve saber como passar através de uma voz solta no espaço, no caso, a sua, tudo que é necessário para a plena experiência. A gradação emocional será dada na mesclagem entre a força da palavra do livro e a interpretação do ator, que irá conduzindo passo a passo a entrada em novos ambientes, novas situações e seres do livro. A atenção do leitor deve ser conquistada aos poucos. Os personagens vão sendo calibrados, temperados através das diversas e sutis nuances que surgem de cada frase dita, de cada mudança de timbre ou de intenção. 




Organizando e finalizando.


Algumas vezes eu gravo durante alguns dias, dividindo, um pouco cada vez, mas em outras, prefiro reservar uma tarde e mergulhar no processo inteiro. Logo depois que termino, dou uma editada no Sony Vegas Pro 9.0 (que também utilizo para editar os vídeos aqui do blog) ou no Sound Forge, escuto novamente tudo que fiz e regravo alguns pontos que precisam ser melhorados ou que tiveram algum problema no áudio, barulho externo, etc. 


Finalizada essa parte, divido em várias partes zipadas e coloco online em um servidor para que o Alexandre possa baixar aos poucos e começar o trabalho de sonorização e edição de minhas falas.


Depois disso tudo, o grande presente, para todos nós: poder escutar um Nerdcast quentinho, saído do forno, após todo o trabalho e dedicação empregados durante várias horas criativas. Para mim, é o momento da redescoberta do que fiz, pois com os efeitos sonoros, com a música criando toda a ambientação, com o timing ajustado, tudo ganha uma nova cor. É uma das coisas mais gostosas para um artista essa ação conjunta entre amigos para gerar uma obra, que será sempre lembrada, toda a sua jornada, desde os primeiros passos até sua conclusão e publicação no site do Jovem Nerd.




Um livro inteiro?


Se um dia faremos uma leitura dramatizada de um livro inteiro? Essa é a pergunta mais comum que muitos ouvintes nos fazem. Com certeza vontade não nos falta. O trabalho seria intenso, colossal. Teríamos que coordenar isso tudo com muito cuidado, todos os aspectos do processo, com extrema organização e paciência. Para sonorizar e musicar alguns trechos de um livro, como o Filhos do Éden, do nosso amigo Dudu Spohr, levamos várias e várias horas, até dias inteiros debruçados no projeto, cada um com sua parte. Agora imaginem um livro inteiro de mais de 400 páginas...



Escute agora os trechos selecionados com os Áudio-Dramas que gravei para o Nerdcast sobre o livro "Os Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida", de Eduardo Spohr =) 

Para ouvir o Nerdcast inteiro, clique AQUI =)



























26 comentários:

Nailson Martins. disse...

Briggs,

O mais legal de tudo é q qdo leio qq texto, a voz mental é a minha. qdo o texto é seu, a voz q aparece na minha mente é a sua.

e esse zoom é muito bom msm.. o Guanabara me deu ótimas dicas na CPBR4...

Felipe disse...

Incrível o seu talento, Guilherme. Já tinha ouvido os trechos no Nerdcast, agora ler o seu texto ilustra bem as ideias que imaginei de como deve ter sido trabalhoso deixar uma leitura com uma profundidade e brilhos necessários.

Parabéns mais uma vez, obrigado por partilhar esse seu trabalho assim com a gente! Um abraço!

Ivan disse...

Puxa,que legal saber essa história, quanto trabalho, arte e amor.
Parabéns, aproeveita a nova tag e traz os outros que já estão gravados e espalhados por aí e junta em um lugar só.
:D

Cristiana Sbardella (Gata Flecha) disse...

Parabéns por tanta dedicação! O resultado ficou ótimo =)

Torço pra que um dia o meu futuro livro também tenha trechos dramatizados em um Nerdcast assim! ^^

Marco.a disse...

putz, mas tu tem uma voz de narrador que é "PROFESSIONAL"

Marco.a disse...

tu tem uma voz PROFESSIONAL

Ulisses Barbosa disse...

FANTÁSTICO Briggs! mas fantástico mesmo. Gostei bastante do audiodrama e do nerdcast. Lendo este post fiquei interessando tambem por este aparelho. Tenho uma banda e talvez nos ajudaria para gravar alguns sons de forma mais caseira, apesar de já ser um pouco profissional.
Parabéns pelo excelente trabalho Briggs.

Pedro disse...

Parabens cara ficou mto bom !!!
quando ouvi no nerdcast a parte dos demonios fikei ateh arrepiado ... a descrição do Eduardo dos adolescente se drogando na sua voz fico aterrorizante ... sem falar na sua interpretação dos demonios DEMAIS !!!!

Mario Toledo disse...

A sua participação com os audiodramas foram perfeitas! É óbvio que foi feita com dedicação...

Quanto ao headset, este é um Microsoft XL3000, confere ? A qualidade dele é tão boa quanto a do gravador digital, não ?

Acho que a magia não vem do microfone mesmo, e sim do ator :D

Leandro Rodrigues disse...

Dá muito trabalho mesmo, mas o resultado fica fenomenal.

Parabéns.

Anônimo disse...

Parabéns Guilherme, você é FODA!

RicHardOak disse...

Só tenho um comentário à fazer, S-E-N-S-C-I-O-N-A-L Eu que sou totalmente contra a literatura friso sempre essa frase (prepotente): "SE O LIVRO FOR BOM VIRA FILME", e acabei atônitamente empolgado ouvindo o nerdcast e tuas narrações... Se tivesse a opção secundária de ouvir um livro assim, eu com certeza "leria" livros... Ajuda muito na compreensão e não tira magia nenhuma pelo contrário, libera uma magia a mais! Parabéns pela dedicação e capacidade! Muito fera mesmo.

PS: Li o post pela metade, mas lerei o resto mais tarde (até leitura de blogs eu fujo haha! mas neste caso será apenas uma procrastinaçãozinha)
forte abraçow fera

Auro Mota disse...

Olá, Gui!

Os equipamentos da Zoom são bons mesmo! Sou músico e uso equipamento da Zoom. Eles estão de parabéns pelos produtos que fazem. Muito bom! E bela interpretação a sua, hein! rsrs

Um grande abraço,
Auro.

déa disse...

Tio Briggs, mesmo pra quem não é dublador é muito inspirador ver como você fala do seu trabalho. Além de ser gostoso de ler/ouvir, faz a gente querer fazer o mesmo com o nosso. Beijos, déa

Fino disse...

Grande Guilherme Briggs. Sensacional o seu trabalho, não só desses audio-dramas mas também dos filmes que você participa. Um abraço e continue com o excelente trabalho!

Anônimo disse...

Ficou muito bom Briggs! Mas eu acho que sua voz sempre foi melhor para personagens com presença.

Emanuel Bonfante Muniz disse...

Estou impressionado! Voz marcante, o som de fundo.. o texto muito bem escrito!

Tudo Perfeito!

Parabéns

quero comprar esse livro!

Leonardo Menezes disse...

Putz cara...n é querer puxar o saco...mas tu é foda!Putz Gui,olha o trabalho que você fez!Você nasceu para isso. Só tenho que lhe agradecer e te parabenizar !Como já disseram acima,também estou impressionado,sua voz leve e ao mesmo tempo com um tom forte,faz com que a magia,seja do cinema ou livro,aconteça.Só pode ser aprendiz do mestre Orlando Drummond.

Obs.:Acho que vou te contratar para ler livros aqui em casa.HAHAHAHAHAHAHA

Leonardo Menezes
Piracicaba - SP

Anônimo disse...

Faço teatro e vivo procurando as vozes para os personagens estava procurando muito por algum bom gravador, vi meu amigo com um destes zoom's e gostei bastante... uma pena que pra quem vive de teatro, o preço seja difícil.
Tio Briggs, conhece algum outro gravador mais baratinho pra indicar?
Ah! Adorei suas leituras dramáticas. Parabéns, ficaram lindas!

Ricardo disse...

Gostei muito!! Simplesmente maravilhoso! Vamos incentivar ... quem sabe o audio drama do livri completo já não começa a ser feito!!! Abraços

Anamélia Araribá disse...

nossa, muito massaa! la vai a dik, temn tanto "famoso" gravando audiolivro... e vc deveria fzer isso! eu ia comprar todos!

bozoITALIA disse...

Nossa, isso poderia ser um livro completo. Eu teria o prazer em compra-lo, ficou sensacional!!!

Idenaldo morais disse...

Não tem como não definir tal trabalho como magnífico. Parabéns!

ProgrAmando disse...

pqp não conhecia vc optimus, cara to acostumado com o escriba cafe tua voz é o bicho veio...
tens que fazer um acordo e fazer os audiobooks do eduardo... massa mesmo ..

Anônimo disse...

faz o audio book cara
ficou animal....

CHOICE...Agora você tem escolha... disse...

Incrível...é a perfeição! sou apaixonado pelo trabalho dos dois, e unidos em um projeto e mais do que eu
poderia esperar! estou deslumbrada. obrigada pela oportunidade.